terça-feira, 1 de março de 2011

Da matrícula

Olá! Daí que eu fui fazer a minha matrícula no curso de teatro do SESC ontem de manhã. Por que não entendo as burocracias? Por que não consigo responder a todas elas do jeito natural que todo mundo diz que faz? Achei que era chegar chegando, e nem dinheiro pra fazer a carteirinha do SESC eu tinha. Vinte e dois reais, na lata. E ainda disseram que não cobram matrícula, como se fosse um negoção! Hunf.
Mas no dinheiro mais ou menos eu pensei antes de sair de casa, e como não tinha nem um tostão no banco, apelei pro meu pai. Maaaais uma vez. Até quando ele vai bancar as minhas pequenas loucuras? Espero que não por muito tempo, me incomoda. Bom, mas eu estava na minha manhã no centro da cidade, perdida no meio daquele tanto de carros e gentes e abrindo mais uma vez a minha bolsa no meio da rua, como prometi que nunca mais faria. Pessoas responsáveis e seguras não abrem a bolsa no meio de uma rua do centro de Belo Horizonte. Não abrem!
Tinha traçado meu plano de "centro da cidade - campus UFMG - bandejão - casa da minha orientadora - Ponteio Lar Shopping" todo no google na noite anterior. Sabe como é, nesta minha fase de medo do próprio carro eu nunca faria esse trajeto driving by myself. Deu no que deu. O Ponteio Lar Shopping foi ideia do meu pai, que está montando o apartamento novo e me pediu ajuda pra comprar uns móveis... estranhamente. Estranhamente porque ele contratou uma mezzo arquiteta mezzo decoradora que manda em todas as compras dele. Nunca vi isso! Nunca contrataria uma dessas... minha casa tem que ter a minha cara, pô! Tudo bem que a minha casa atual é esse buraco cheio de livros, uns quadros meio expressionistas de feira e uma máscara africana na parede, mas pelo menos é tudo a minha cara. Ou não.
Volto pro centro e chego lá na porta do SESC. Claro que primeiro entrei na portaria errada e conversei com o porteiro errado. Cheguei a um guichê que por milagre era o certo e esperei a loiruda da frente resolver suas pendengas com um clube recreativo de Venda Nova ou algo parecido e lá fui eu. Um senhor simpático, eu mais simpática ainda (certeza que era porque eu sabia que não ia ter algum dos papéis que esse povo burocrata pede e teria que contar com a boa vontade dele).
Passa a lista pra cá, seu moço! "Você vai precisar de: vinte e dois reais na mão (não podia ser no débito, droga), CPF, identidade foto 3x4 (RÁ! Claro que eu não tinha isso) e uns dados pessoais que ele pediu. O truque da simpatia a toda prova deu certo, mais uma vez. O senhor preencheu minha ficha e me permitiu correr como louca nas ruas do centro atrás de banco pra sacar dinheiro e de unas fotos instantâneas 3x4, de modo que eu não tive que enfrentar ooooooooutra vez a fila pra me inscrever etc e tal.
Duas quadras mais à frente: banco. Tiro tudo da bolsa de metal, guardinha me olhando. Não gosto quando me olham assim, como se eu estivesse atrapalhando... caiu tudo no chão, e atravanquei mais ainda a porta giratória. Fofa, eu.
Depois, fotos 3x4. Preciso dizer que eu não tava nada preparada pra tirar fotos 3x4? Maquiagem zero, cabelo bagunçado de correr, suada até a alma. Oito fotos por nove reais, e já não teria dinheiro nenhum pro bandejão da semana...
A essa hora eu já estava atrasada para o bandejão com o namorado, logo estava atrasada para o encontro com a orientadora.
O importante é que me inscrevi. As aulas começam no primeiro sábado depois do carnaval, dia 12 de março. Tardes de teatro, e espero que eu encontre o que estou procurando... que não é mais que uma meia dúzia de respostas. Pra isso, taí aquela "Vinte anos blues" cantada pela Elis Regina:

Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue

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