quinta-feira, 7 de abril de 2011

da História da Mímica

Encontrei esse pequeno artigo na internet sobre a história da mímica (ou pantomima, a mímica clássica), de Hugo Oskar. Como a minha professora havia pedido que fizéssemos uma pesquisa a respeito dessa história, deixo aqui também uma parte da minha. A mímica é realmente o maior desafio da expressividade do corpo.



*História da Mímica*

Em 1979 fomos convidados para o VIII Festival de Bonecos, em Petrópolis-RJ. Apresentei uma performance que demonstrava o trabalho relacionando "mímica e objetos animados". A produção do programa "Bambalalão" (TV Cultura), interessada por nosso trabalho, nos convidou para criar 100 quadros de mímica. 
Sempre que se fala em mímica, vêem as seguintes perguntas: Teatro? Dança? Brincadeira? Mímica é tudo isto e, principalmente, é Arte.
O conceito de Mímica provém da Sicília: assim se denominavam as apresentações das farsas camponesas e burlescas. Recebeu a sua forma definitiva pelo siracusano Sôfron, por volta do ano 430 a.C. Suas criações são homens no sentido mais amplo da mimesis, feras humanizadas. Sôfron é o criador dos antepassados mais remotos do enredo das peças de Shakespeare, "O Sonho de uma Noite de Verão" em uma de suas obras (conservado em fragmento) faz com que o ator que representa o burro fale do jeito que comia fenos e folhas.
O mímico é como um fio que conduz, sem interrupções, desde a Pré-História até a Idade Média, passando por Roma, Bizâncio e chegando junto com os teatros moderno e contemporâneo.
Voltemos ao passado e vamos ver o que pensavam os povos primitivos: devido às mudanças de climas, normalmente os povos eram nômades, tinham que viajar de um lugar a outro e procurar comida para se manterem vivos. O teatro (falo de teatro como um todo incluindo a mímica) dos povos primitivos conserva suas raízes no longo subsolo dos impulsos vitais da origem das misteriosas forças da magia, o conjuro à transmutação vinculada com a caça dos povos nômades da era paleolítica, as danças das colheitas e fertilidade; dos primeiros semeadores e agricultores, os ritos da iniciação do totenismo, do xamanismo, do culto aos deuses, a forma e conteúdo da expressão teatral, condicionado pelas necessidades vitais e as crenças religiosas. Delas se derivam as forças elementares que convertem o homem a um médium, que o capacitam para se elevar por cima de si mesmo e de seus colegas da tribo. 
O homem tem personificado as forças naturais, tem convertido em seres viventes o sol e a lua, o vento e o mar. Seres que disputam, lutam e batalham entre si, e podem ser influenciados em proveito do homem mediante o sacrifício, a adoração cerimonial e a dança.
As fontes pré-históricas populares, folclóricas, assim como datas da História das religiões, oferecem um material abundante de danças culturais e festejos das mais diversas informações do início do Teatro. Os ritos da fertilidade com os índios cherokees (EUA), acompanham hoje a semeação e colheita do milho, encontram sua correspondência nos festejos musicais e pantomímicos dos japoneses em honra ao arroz. O teatro primitivo se serve dos meios extras corporais próprios da arte mais desenvolvida, máscaras e vestuários, acessórios, decorações e orquestra foram utilizadas, logicamente em forma mais simples.
Em nossos dias é possível encontrar o teatro primitivo em três manifestações: nos povos relativamente isolados que vivem em um estado primitivo e que, em suas representações mímico-mágicas, se aproximam a uma hipotética condição originária da humanidade; nos gravados sobre madeira e ossos e, por último, nos inumeráveis tipos de costumes populares e de danças, mímicas e folclore, em diversas regiões da terra.
A luta dos mímicos pelos caminhos solitários da pantomima é um exemplo do teatro intemporal e, com isto, se abrem as portas que nos conduzem a todos os povos em todos os tempos: danças das culturas primitivas à pantomima das evoluídas culturas asiáticas; mímica dos antigos até a Commedia dell’ Arte.
A habilidade do mímico consiste em criar a ilusão do tempo. O corpo é convertido em seu instrumento, que substitui uma orquestra: a expressão do som mais pessoal o transforma em uma expressão universal. O mímico foi o único ator que não teve preconceito com as mulheres, portanto, desde o começo, em suas viagens, se fazia acompanhar por dançarinas, bufões, julgares, mágicos, etc.
As fontes pré-históricas, populares, folclóricas, assim como datas da história das religiões oferecem um material abundante, danças culturais e festejos das mais diversas informações do início do teatro.
No princípio foi a crença aos deuses, o desejo do homem por assegurar seu favor e sua ajuda.
Os caçadores do período glacial se reuniam na gruta de Montespam em torno de uma estátua de argila coberta com pele de urso, e eles se fantasiavam de ursos em ritual mímico-mágico, agrediam a estátua até cair simulando a sua morte, acreditando no êxito da caça do urso.
A paleolítica dança do urso das cavernas Francesas de Montespam ou de Lescoux corresponde a festas dos troféus do urso da Ainu no Japão pré-histórico, e ainda se repete em algumas tribo da Índia e América do Norte, nos bosques africanos, na dança dos búfalos feitos pelos índios americanos, nas danças Australianas de Corroboru, nas pantomimas do canguru, do Emu e da foca nas mais diversas tribo indígenas.
Normalmente as grandes escolas de mímica são encontradas na Europa: são elas que marcam a linha de comportamento do público interessado em assistir a este tipo de representação hoje. As apresentações dos mímicos têm sido elitisadas, quando sua trajetória sempre foi popular, como na Grécia e Roma antigas e na Idade Média, sempre com uma mentalidade nômade de viajar por todos os cantos do mundo.
Para se tornar um mímico profissional precisa-se de muito esforço, perseverança, disciplina, estudo corporal, passando por vários estágios, aprendendo a gramática do mímico, história do teatro, história das artes, física, maquiagem, dança, anatomia e outras matérias.
Existem diversos exercícios da gramática da mímica que são imprescindíveis: as caminhadas, de frente e de perfil, como Carlitos; puxada de cordas, horizontal e vertical; posições das mãos em referências aos objetos; mãos apoiadas em um vidro; luta contra o vento. São alguns dos exercícios que o mímico deve praticar diariamente para poder levar ao palco uma apresentação de agrado para todo tipo de público.
Quando em seu estudo: nascimento, amadurecimento, velhice e morte, apresentadas em seqüência como no cinema, em poucos minutos através da vida de um homem, chega com força intensiva da expressão do drama primordial, trata-se da arte da identificação do homem com a natureza, com os elementos, que ficam perto de nós.
A habilidade do mímico consiste em criar a ilusão do tempo: o corpo é convertido em seu instrumento, que substitui uma orquestra, a expressão do som mais pessoal a transformar-se em uma expressão universal.
Hoje os “mimos” tem estilos decorrentes de escolas européias, como Marceal Marceux e Entiel Decraux, na França, e escolas da Polônia e Inglaterra. O trabalho da maioria das escolas é baseado no folclore oriental e no mundo antigo, só que estilizado esteticamente. Nós, mímicos latino-americanos, devemos procurar nossas raízes que são ricas em criatividade: Antonio da Nóbrega, do teatro Brincante, tem um trabalho riquíssimo com referência a este tema.
Muitas pessoas acreditam que pelo fato de os mímicos maquiarem o rosto de branco ele tem a obrigação de fazer palhaçadas, mas existe uma diferença muito grande. A finalidade do mímico no palco não é fazer o público rir às gargalhadas, mas sim mostrar a vida de forma alegre, simpática e crítica.

Nota 1: Hugo Oskar é mímico, marionetista e artista plástico. Atualmente é diretor do grupo de Teatro de Animação Metamorfaces. Para saber mais sobre o grupo acesse:http://www.cooperativadeteatro.com.br/nucleos/metamorfaces.htm

Nota 2: O mímico da foto é Marcel Marceau, um mímico francês considerado por muitos o maior do século XX. Teve muito êxito no período pós-guerra.

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